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13.12.11

FADO OBRIGADO ! Património imaterial.

             FADO OBRIGADO !

             Património imaterial 
       O fado, a canção nacional que veio do povo, foi premiado pela UNESCO que o considerou património imaterial. Estão todos de parabéns; quem preparou a candidatura e todos os demais intervenientes, que contribuíram para que o fado fosse premiado e reconhecido como elemento cultural, Os portugueses em geral gostam de fado.
A voz do cantor e o trinar das guitarras são o fado. Ou constituem o fado. Cantam-se os problemas da vida, as coisas boas e as coisas piores. Canta-se o amor, os seus aspectos positivos e os seus aspectos negativos. Uma mulher que chora uma mulher que ri uma criança em dificuldades, um velho que morreu a natureza que floresce um toiro que investiu num cavalo a noite, canta-se quase tudo. É um trabalho exigente, conjugar a voz do artista com o som das guitarras e aquilo que se canta. É uma forma de expressão musical para apreciadores que gostem do silêncio. Não é em princípio atraída para grandes espaços. Tem o seu local próprio. O artista apresenta-se em palco bem vestido, um lenço ao pescoço, às vezes, as guitarras iniciam os primeiros acordes, o fadista/actor espera o tempo de entrada da sua voz, olha o público, acompanha a música com os ombros, ou não e depois inicia o seu trabalho de cantor. No final, o aplauso. O fado como expressão musical passou as fronteiras e foi cantado em espaços onde consagrados artistas actuaram. Sempre bem sucedido nos seus desempenhos. O fado exige postura de quem o está a ouvir. Que sabem disso. E correspondem ao pedido do fado. E surge um bloco granítico que defende a melodia. E o fado segue o seu caminho. Ou o seu destino. Porque o fado é sorte ou azar, o fado é dor e sofrimento e canta esse sentimento tão português que é a saudade.
 Aprender a cantar o fado é obter uma licenciatura na Universidade, disse um artista em tempos. Não me parece descabida a comparação. Tem que se lhe dar dedicação exclusiva, ou quase. Temos de gostar dele, quer para cantá-lo quer para ouvi-lo. Toca na alma dos que gostam. Fá-los pensar. É uma forma de expressão musical cantada na língua portuguesa e que curiosamente os estrangeiros apreciam. E aplaudem. Percebem-lhe o sentido, talvez, ou o sentir ou o sentimento ou a mensagem ou talvez o admirem por nunca terem visto nada igual, o cantor, as guitarras e o palco. E silêncio na noite, os xailes negros, Hermínia Silva e o seu ”anda Pacheco”, Ti Alfredo Marceneiro com a sua “Casa da Mariquinhas”,Vicente da Câmara com “A menina das Tranças Pretas”e entre outros grandes intérpretes a grande fadista Amália Rodrigues que encheu “O Olímpia”em Paris, com o seu fado “É uma casa Portuguesa, com certeza” entre outros. No passado, as vozes da Severa, Maria Alice, Berta Cardoso e… no presente Camané, Carlos do Carmo e os Câmaras, descendentes da aristocracia de tendência monárquica. São os músicos como Fontes Rocha, Joel Pina e… o maior de todos, na opinião de muitos e seguramente dos mais antigos, o celebérrimo Armandinho. Muitas pessoas que deram tudo ao fado não estão aqui mencionadas, mas os amantes do fado sabem quem é. E todos eles, desde os estudiosos, letristas, cantores, músicos e por aí fora, têm direito a um pequeno reconhecimento do grande contributo dado para o engrandecimento do fado, que agora foi reconhecido, pela UNESCO.
Acho que se deve esse agradecimento ao fado, por ter levado tão longe o nome de Portugal.
Fado, obrigado.