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16.12.18

MÃE

Só tinha 91 anos e uma vontade de viver! Acho que nunca mais irei recuperar esta perda! « Nunca mais »! Tinha tudo aquilo que eu queria.
Deixou-me, por uns tempos, só para que eu possa pôr em prática tudo aquilo que me ensinou.
Mas, estou convencido que não a vou deixar ficar mal, onde quer que esteja. Sinto sempre a sua mão, indicando o caminho certo.
As cores que são alegres, também contam: as cores fortes, cores tristes... assim é a vida, marcando contrato com o tempo. Enfim… a tempo de plantar e de colher.
 Agradeço á minha Mãe, por me ter presenteado com uma linda família.
Mãe, com o pouco que você tinha, conseguiu edificar muitos castelos, não de betão, mas de dignidade, honra e decência, visível em cada um dos seus filhos.
 Muito abrigada por tudo!
O mínimo que posso fazer, é dividir com a família os tesouros que os meus Pais me deram, para não ver a família sofrer a ausência deste casal que viveu 61 anos, lado a lado, companheiros e amigos.  O amor pelos Pais é eterno! E a falta que eles fazem também!
Hoje protejo a família com mais força que antes. Tenho a certeza,  que o vazio da partida nunca se vai preencher.
O céu ganhou mais uma estrela.


9.4.13

Numa pequena viagem no caminho das flores.

Flores para o Pai

Hoje foi dia de ir ás flores- como quem trepa uma montanha de pólen e fotografar flores com aromas e sabor a mel.

Para ti ...
Tu fazes o meu coração sorrir,
e alimentas-me com os teus pontos de vista.
Para ti ...
Que através da distância
Eu travei a tua ternura.
Para ti ...
Eu publiquei uma rosa com o teu nome, na estrela mais bonita,
a olhar para o céu quando tu te lembras de mim ...
Como eu estou a pensar em ti agora mesmo!
      baseado, atte.
              María Del Carmen
Quando eu morrer, voltarei para ir ao Bié fazer um jardim, completar o que faltou.
Flores uma afirmação orgulhosa
D. flor
Apanhadas em flagrante
Uma flor de verde pinho
A flor que não te posso dar
Cheira bem, já tem sol, cheira a terra molhada, cheira a flores
Bem te avisei meu amor
Onde é que eu tinha a cabeça quando te disse que sim
Cantos da minha casa
Espreitar é quase mexer
Onde a chuva se prende

CAMALEÃO
Excelente protector das flores






26.2.13

Foi um homem gigante, alguém para ser lembrado eternamente.


Só tinha 87 Anos e uma vontade de viver que ninguém consegue imaginar, acho que nunca mais irei recuperar esta perda « nunca mais » tinha tudo aquilo que eu queria.
Deixou-me por uns tempos só para que eu possa pôr em prática tudo aquilo que me ensinou.
Mas estou convencido que não o vou deixar ficar mal onde quer que esteja, sinto sempre a sua mão indicando o caminho certo.

A saudade que tenho é imensa e nada preenche o vazio de um pai, assim como o vazio de uma Mãe ou de outro ente querido, pois cada qual é único nas nossas vidas. O que me conforta é que os seus ensinamentos ficarão para sempre na minha vida e servirão de exemplo para os meus filhos. 
Agradeço a minha Mãe por me ter presenteado um maravilhoso amigo.
Pai, com o pouco que você tinha, conseguiu edificar muitos castelos, não de tijolos, mas de dignidade, honra e decência, visível em cada um dos seus filhos.

Gostaria de anular esta data que me sufoca, pois sinto muito o meu coração chorar por querer o colo dele ou até as risadas de alegria que transmitia com tanta satisfação.

Tanto carinho, seria de invadir o meu coração que isto fosse apenas um pesadelo. Mais as cores que são alegres também contam as cores fortes, cores tristes, assim é a vida marcando contrato com o tempo. Enfim… a tempo de plantar e de colher.
Com todo o meu amor demonstro sentimentos para com todos que lêem o meu desabafo.

Quantas saudades Pai, quanta falta me faz! Este vazio na alma parece que nunca mais será preenchido. Deixou-nos tão abruptamente, não tive tempo para me despedir, para dizer o quanto eu te amo, para pedir que não nos deixasse. Isto aconteceu há  22 dias, mas parece que foi ontem. 
Quantas vezes recordo os momentos que passávamos juntos, quando  me ensinava o valor da honestidade, da fé, do carácter, da solidariedade. Foi um homem gigante, alguém para ser lembrado eternamente. Muito abrigada por tudo!
O mínimo que posso fazer é dividir com ele os tesouros que ele me deu para não ver a minha  Mãe sofrer a ausência deste homem que viveu 61 anos ao seu lado, companheiro e amigo.  O amor por Pai é eterno! E a falta que ele faz também!
Hoje protejo a minha mãe com mais força que antes. Tenho a certeza de que o vazio da partida nunca se vai preencher.

Dele tudo faz falta. Os abraços e as conversas cúmplices. Os olhares e o riso. O jogo de cartas. A horta biológica. Os almoços serenos, mas demorados e o brinde com tinto morangueiro. O ficarmos na sala a comentar cada notícia que passa, o seu adormecer debruçado na toalha de algodão, o acordar preguiçoso com o canto do galo, o pão fresco logo pela manhã e o sabor do café. De ti tudo me faz falta. Menos a saudade. Essa não me faz falta nenhuma.



26.5.12

O AMOR ACONTECE

O amor acontece. Numa quinta, por exemplo, num domingo de super lua, depois do silêncio
da manhã; começa em cafés ás 10h da manhã; de repente, no meio de uma neblina na acidez da aurora, depois de uma noite votada à alegria póstuma, que não veio; o amor acontece no

desenlace das mãos, como tentáculos saciados, e elas movimentam-se no escuro como dois 
polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor acontece-se; na insônia dos braços luminosos do relógio; o amor acontece nas geladarias diante do colorido dos gelados de

figo e amendoa; e no olhar do cliente errante que passou pelo café; às vezes o amor acontece nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no esvoaçar diferente de um filhote que caiu do ninho; no
 cantar aflito da Mãe; nas tangerineiras, nas oliveiras, nos corrimões e nas silabas do canto; 
quando um mocho se habitua á estaca empoeirada de pólen, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acontecer; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três
 goles de vinho à volta das pipas; na semente tantas vezes semeada, às vezes vingada por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos entre o pólen e o gineceu de duas flores; num quarto refrigerado, forrado a madeira, cheio de brilho, onde há mais encanto que desejo; e o amor
 acontece na poeira que as flores vertem, caindo impercetível no beijo de ir e vir; no autocarro, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se erriça e acontece; no inferno o amor não acontece; no fogo do pinhal o amor  dissolve-se; em Coimbra o amor pode
 virar pó; no Mondego, frivolidade; no Sobral, tristeza; em Angola, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acontece; uma carta que chegou antes, e o amor acontece; na controlada fantasia do libido; às vezes acontece na mesma música que começou, com o mesmo brinde, diante dos
 mesmos chilreiros; e muitas vezes acontece em ouro e diamante, nos meus Pais com idade 
avançada dispersando entre as estrelas; acontece nas encruzilhadas de Coimbra, Angola, 
Algarve; no coração que se dilata e quebra, e o cardiologista Ricardo sentencia o mixoma; na

equipa  imprestável para com o amor da profição; e acontece nos corredores, tocando na porta certa, até se desfazer na sala fresca e iluminada; e acontece de pois que vi as cores dos uniformes que veste o mundo dos profissionais; na janela que se abre, na janela que se fecha; às 

vezes o amor acontece e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua refletindo sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acontece como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acontecer com doçura e esperança; uma 

palavra, muda ou articula, e acontece o amor; na verdade; uma bebida; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; no castanho dourado do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acontece; a qualquer hora o amor acontece;

por qualquer motivo o amor acontece; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acontece.
Texto escrito por mim. É atravessado pelo gosto de escrever om efeitos baseado em fatos 
verídicos, unicamente com a minha sabedoria. Em todo eu sou o meu objeto de representação ao mesmo tempo produto e produtor, num circulo com a natureza.
Publicado em primeira mão no blogue da Eli: 
http://escreverumlivro.blogspot.pt/2012/05/o-amor-acontece-4.html